ocidentalizando a Turquia

》Atatürk: o ditador que inventou a liberdade

Poucos homens na história podem ser descritos como ditadores ilustrados, e nenhum encarna melhor esse paradoxo do que Mustafa Kemal Atatürk, o fundador da Turquia moderna.
Revolucionou um império agonizante e transformou-o num estado laico, moderno e ocidentalizado... mas ele fez isso com mão de ferro.

Quando projetou a nova constituição, foi inspirada na suíça; quando perguntaram em que tipo de letra deveria ser impressa, respondeu com um sorriso:
“Helvetica, é claro. ”
Seu senso de humor revelava algo mais profundo: Atatürk queria que seu povo avancasse para a modernidade, mesmo que fosse empurrado.

Ele mesmo explicou isso uma vez com brutal sinceridade:

> “Não devo me aproximar deles; eles devem se aproximar de mim. ”

Pensei que a mudança não podia ser gradual. Que uma nação adormecida durante séculos precisava de um abalamento, não de um diálogo.
E ele fez: aboliu o califado, substituiu o alfabeto árabe pelo latino, baniu o fez, impulsionou a educação secular e os direitos das mulheres.
Em menos de uma década, ele trocou séculos de tradição por uma nova identidade nacional.

Sua tragédia, como a de tantos visionários autoritários, foi acreditar que podia impor a liberdade.
Atatürk libertou a Turquia do passado, mas também a amarrou à sua própria figura.
Seu retrato continua presidindo a cada escola, cada escritório e cada bilhete turco, lembrando que, por vezes, a revolução mais brilhante nasce de um despotismo ilustrado.
Fonte 2. Crônicas históricas

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