O tenente de Cajazeiras II José Pereira

OPERAÇÃO MANZUÁ DE CAJAZEIRAS ANOS OITENTA

MANZUÁ NA PARAÍBA. A operação Manzuá, foi a denominação de um serviço implantado na Polícia Militar da Paraíba, no mês de junho de 1988 e que durou até o início de 2011. O nome, “Manzuá, é uma armadilha de pesca onde o peixe entra mais não sai”. O bom resultado obtido pela Operação Manzuá nos primeiros dias, com a recuperação de veículos roubados, apreensão de armas de fogo e drogas, fez com que o serviço fosse referência nacional, virou bandeira política e se estendeu por todo Estado, iniciando–se por Campina Grande, seguido por Patos, Guarabira e Cajazeiras, que durou por mais de vinte anos.

FUI PARADO NA MANZUÁ. Em abril de 1996, estava eu chegando em Cajazeiras, de férias do serviço, por volta do meio dia, pilotando meu Monza tubarão, 4 portas na cor vinho. A uma certa distancia, observei uma operação policial na saída de Cajazeira para o Ceará. Devido o sol escaldante naquele horário, diminui a velocidade, um policial saiu do posto e foi para o centro da faixa para me abordar. Fui desacelerando e o policial militar foi gesticulando com a mão esquerda para eu estacionar na faixa lateral.

DIÁLOGO. Ele ficou de olho na placa do carro e parei. Ele disse: “boa tarde senhor, o senhor mora em Brasília?”. Respondi, “sim senhor TENENTE”. “Tem algum familiar aqui na cidade”? Respondi, “sim senhor TENENTE”. Ele não pediu documento do carro e minha habilitação, más eu já estava com eles em mãos para mostrar. Falei: “TENENTE, aqui os documentos”. Ele me respondeu: “não precisa”. Percebí, que ele se sentiu uma autoridade máxima e estufou o peito com orgulho, quando eu falava a palavra “TENENTE”. Talvez, ele fosse um soldado raso.

A PROPRINA. Ele se aproximou da porta do carro e me falou baixinho: “deixa o do sabonete aqui”. Falei pra ele que eu estava com talão de cheque e não tinha dinheiro. Naquela época, não existia caixa eletrônico e cartão para sacar dinheiro. Ou seja, as pessoas viajavam com dinheiro e talão de cheques.

NUMA BLITZ DIGA SEMPRE TENENTE. Um primo meu, que foi soldado da PMDF, certa vez me falou que, em uma blitz quando você trata de TENENTE qualquer policial em operação, ele se orgulha muito independente da função na corporação, como forma de respeito que você pode ter com qualquer autoridade policial.

NEM SABONETE E NEM DINHEIRO. Dias depois, voltando pelo mesmo caminho, o TENENTE não estava mais por lá e não fui parado na blitz. Más, eu eu comprei um sabonete bem "ranguero" (de baixo valor) para ele.

POR: José Pereira Filho. FOTO: Manzuá de João Pessoa, saída para Natal (RN), do acervo GloboPB.

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