José Pereira na carroceria
PESSOAS VIAJAVAM NAS CARROCERIAS DOS CAMINHÕES ANTIGAMENTE
NÃO ERA PROIBIDO. Época em que viajar na carroceria de um caminhão era bastante comum. No passado, pessoas eram transportadas de carona nas carrocerias dos caminhões por todo o Brasil. Essa prática oferecia uma forma barata e acessível de se locomover, especialmente, em regiões com pouco transporte público. No entanto, nunca foi uma prática legalizada ou regulamentada. Com o tempo, as preocupações com a segurança no trânsito aumentaram e as regulamentações foram implementadas, levando ao desaparecimento dessa prática. Atualmente, andar de carona nas carrocerias dos caminhões é proibido no país.
VIAGENS A LAZER. Para as pescarias, pessoas viajavam na carroceria com destino aos sítios, chácaras e fazendas. Torcidas de times de várzea viajavam nas carrocerias pelo interior do Brasil. Até hoje, tem pequenos caminhões, que transportam os moradores dos sítios para cidades pequenas, a exemplo do Distrito de Santa Vitória para Aurora (CE), passando pelos sítios, porque, lá não tem fiscalização rodoviária. Motoristas transportavam eleitores sitiantes nas carrocerias dos caminhões, onde eles iam votar nas cidades, patrocinado por políticos. Também, tinha transporte para times de futebol de uma cidade para outra, em fins de semana com destino a municípios ou lugarejos próximos. Pessoas, também, viajavam nas carrocerias de caminhões para fazer piquenique nas fazenda, ou mesmo nas cidades com praias. Em Cajazeiras, faziam para o Brejo das Freiras, próximo a Antenor Navarro – hoje, São João do Rio do Peixe (PB). E, ainda, pessoas viajavam nas carrocerias dos caminhões misto – caminhão com cabine de madeira – junto às mercadorias, a exemplo do caminhão misto de João Nestor, de Monte Horebe (PB), para Cajazeiras e vice versa. .
PAU DE ARARA. Nos anos sessenta, muitos nordestinos viajaram para São Paulo, em busca de trabalho, nas carrocerias dos caminhões pau de arara (coberta com lonas e bancos), que durava dias ou semanas para chegar na pauliceia desvairada. Eu viajei de Cajazeiras (PB) para São Paulo, em 1971, na cabine de uma caminhão FNM (Fê Nê Mê) de João Nestor, cunhado da minha mãe. E, ainda, era normal romeiros indo para Juazeiro do Norte (CE) e Bom Jesus da Lapa (BA), participarem das romarias, que percorriam grandes distâncias.
PEGAR MORCEGO. Eu sou da época em que era muito animado a gente (garotos) pegar morcego na traseira dos caminhões, principalmente, quando rodavam na baixa velocidade dentro da cidade. Mesmo com todo o cuidade, às vezes, algum moleque se estatalava no chão. A risada era geral. Isso, na Praça Camilo de Holanda, porque, era a artéria mais movimentada da cidade, por não haver ainda a BR 230, que hoje passa por fora de Cajazeiras. Os carros vindos de Sousa (PB) com destino ao Ceará ou vice e versa, passavam em algumas ruas da cidade.
ACIDENTES. Naquela época, haviam poucos acidentes, devido a pouca potencia dos motores dos caminhões. Hoje, tem motoristas de caminhões transportadoras, que têm prazo para entrega de mercadorias nas cidades e para ganhar tempo, muitos deles usam rebite (droga) para cumprir horários de entrega das mercadorias nas grandes distancias.
ESTRADAS DUPLICADAS. Naquele tempo, os caminhões andavam a 60 km por hora, devido as péssimas condições das estradas e, às vezes, esburacadas, andavam em baixa velocidade. Hoje, com as estradas asfaltadas e sinalizadas, tem estradas com placas de sinalizações, que permitem a velocidade de 90 kms para caminhões e ônibus, a exemplo da BR 060 de Brasília à Goiânia (GO), com duplicação em toda sua extensão. De automóvel, são 216 kms e em poucas horas, chega-se ao destino.
POR: José Pereira Filho Foto. FOTO: de João Cruz do blog Cruel e Insensibilidade
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