uma mulher procurando marido

Em 1745, o irlandês coronel Hugh Maguire, de 35 anos, acreditava ter feito o negócio mais vantajoso de sua vida ao se casar com Lady Elizabeth Cathcart.
Elizabeth, nascida filha de um humilde cervejeiro londrino, havia ascendido social e economicamente graças a três uniões anteriores: a primeira por dever, a segunda por riqueza e a terceira por status.

Dessa vez, porém, aos 56 anos e profundamente apaixonada, deixou-se guiar pelo coração. Chegou até a brincar usando um anel gravado com a frase: “Se eu viver, chego aos cinco”. Mal imaginava que o quarto marido seria o pior de todos.

A verdadeira face de Hugh logo se revelou. Após tomar parte de seus bens, ele exigiu que Elizabeth lhe entregasse todas as joias e documentos. Ela se recusou… duas vezes — na segunda ocasião, com uma arma apontada para si. Como punição, foi levada para a Irlanda e trancada num sótão, onde passaria mais de 20 anos.

O quarto onde ficou presa tinha apenas uma janela e poucos móveis. Para manter a lucidez, escrevia trechos de conversas no papel de parede. Escondeu suas joias inicialmente na peruca e depois na barra de suas roupas, até que um dia as lançou pela janela embrulhadas num pano, confiando-as a uma pobre mulher que passava pelo local.

Durante duas décadas, Hugh não cedeu. Já idosa, aos 75 anos e enfraquecida, Elizabeth revelou que as escrituras estavam atrás de um painel em sua casa em Herefordshire. O marido correu para recuperá-las, mas ao tentar arrombar a fechadura com uma faca, cortou-se gravemente. A ferida infeccionou e ele morreu de tétano pouco tempo depois.

Quando finalmente foi libertada, Elizabeth estava tão debilitada que mal reconhecia as pessoas. Ainda assim, recompensou generosamente a mulher que havia protegido suas joias.
Viveu até os 97 anos, voltou a dançar, passear de carruagem e nunca mais se casou. Sobreviveu ao seu pior algoz… e à promessa de um quinto matrimônio.

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