memórias de José Pereira de Souza Filho

MINHA RUA NA ADOLÊSCENCIA ANOS SESSENTA EM CAJAZEIRAS.(PB)

ÊITA, que saudades dessa rua. Rua Pedro Américo, no centro da cidade, próximo à Praça do Espinho. Esse casarão na esquina, era do fazendeiro Sinval do Vale e seguindo em frente, tinha mais 18 casas e uma bodega na outra esquina. Lembrar dessa rua, é lembrar parte da minha vida até o dia 13 de dezembro de 1971, quando saí para morar aqui em Brasília. 

VERÃO. Pela manhã, ao despontar os raios solares, eu me acordava naquela preguiça danada, de quem dormiu a madrugada toda em uma rede estendida no corredor da minha casa. Ah! como era bom dormir na rede de balançar e os armadores fixados nas paredes, faziam aquele barulhinho sem perturbar os ouvidos dos meus pais e manos. As muriçocas de Cajazeiras nessa época, estavam em todas as casas e mesmo sem ventilador, eu dormia mais que as muriçocas, porque, as danadinhas não me perturbavam. 

INVERNO. A preguiça era mais ainda, porque, com a chuva que batia no telhado, as horas se passavam e a vontade era dormir mais e mais. Eu só não gostava mesmo, era na época das aulas, porque, era obrigado a se levantar e partir para a luta. Antes de sair, esperava um pouquinho mais para a chuva diminuir e o atraso, às vezes, era de praxe. Más, com o tempo passando, a gente vai se acostumada da rotina escolar. Na época das férias escolares, aí, sim, eu dormia mais um pouco e podia cair mais e mais chuva, porque, eu não estava nem aí, eu dormia mais do que a rede.  

MINHA CASA. Na entrada da minha casa, tinha um portãozinho de ferro com dois lances de degraus, que davam acesso para o alpendre e, ao lado do portãozinho, tinha uma parede formada com vários cobogós de concreto onde nós (irmãos) ficávamos sentados em cima para apreciar o movimento das pessoas e carros, que passavam naquela rua. Na calçada de casa, quase colado ao meu fio, tinha um pé de fico, que dava pouca sombra e alí, eu e os manos ficávamos sentados jogando conversa fora. Naquela época, minha rua era mão e contramão para os veículos e dois Jeeps, ao se cruzarem, tiravam um fino um no outro, principalmente, por causa dos retrovisores. Às vezes, a gente sentado no meu fio, os carros passavam pertinho da gente onde sentíamos um pouco do vento no rosto. Nessa hora, a gente não se levantava do meio fio, se não levava uma porrada do retrovisor. 

PRAÇA DO ESPINHO E OS ASILADOS. Durante o dia, eu gostava de encontrar meus amigos na Praça do Espinho - localizada ao lado do casarão citado lá no início - para batermos papo, ver o movimento das pessoas, carros e bicicletas, naquele vai e vem, uns se direcionando para o centro da cidade e outros, no sentido contrário para a Praça Camilo de Holanda e ruas próximas. Os jovens frequentadores da Praça do Espinho, eram apelidados de “asilados”, palavra essa usada para os jovens que não trabalhavam, só estudavam. À noite, o movimento na Praça do Espinho era bem maior, porque, as pessoas da minha rua e ruas adjacentes, após um dia de trabalho e os compromissos escolares, se encontravam nessa praça. Em locais determinados ficavam os rapazes e em outros, as moças a papearem. As crianças moradores de frente para a praça, ficavam a brincar sob os olhares dos pais, que ficavam sentados nas calçadas em cadeiras de balanços, em conversas com seus vizinhos. Nessa hora, o calor dentro das casas era terrível e nas calçadas, as muriçocas ficavam zoando no pé do ouvido, vez por outra, os tapas derrubavam as coitadinhas.  

CONVERSAS NA PRAÇA. Aquela praça era dividida em três canteiros com bancos para sentar. Um canteiro sem flores, enfrente ao Grêmio Artístico Cajazeirense, que tinha dois banquinhos um perto do outro. No segundo canteiro o do meio, tinha flores e quatro banquinhos, dois de um lado e dois do outro. O terceiro, com flores e banquinhos, três de um lado e mais três do outro, em frente ao Grupo Escolar Dom Moisés Coelho. Havia, ainda, outros locais onde a gente sentava: na calçada da casa de seu Sinval do Vale, porque, ali tinha um pé de bage -pequenas frutinhas vermelhas e adoçicadas - que dava sombra para os “asilados”, que ficavam ali se protegendo do calorzão de rachar o quengo à tarde. Outro lugar, era embaixo dos pés de castanholas, que ficavam em frente ao grupo. Ou mesmo, sentados no meio fio das casas de frente para essa praça, algumas delas tinham pés de fico.  

RUAS PARALELAS. A Rua Pedro Américo começa no cruzamento com a Rua São Francisco (conhecida Rua Ulisses Mota), ao lado do Círculo Operário e seu final vai até o cruzamento com a Rua Coronel Peba. Na sua extensão, ela cruza com as ruas: Padre José Tomaz, Justino Bezerra, Travessa João Vicente Freitas, Sebastião Bandeira de Melo, Siqueira Campos e Venâncio Neiva.

NA FOTO. Essa casa da esquina, era de Sinval do Vale, depois vem as outras: de Milton Frade; de Moacir Abreu; de Vicente Gomes; de Zélia Ribeiro; de Miguel Arruda; de Nilda Moreira; de Antônio Bezerra; de Antônio Guedes; de Zezinho Macedo; de Esmerindo Cabrinha; de Zé Cartaxo; de meu pai José Pereira; de Bernardo Batista; de Odília Mamede; de Agostinho Oliveira; de Vicente do sax; de Luzia Alencar; de Jardilina Souza e na esquina, a bodega de Manoel Jovino. Nesse trecho, tinha dezoito casas e no lado oposto das casas, era o antigo prédio São Vicente, conhecido prédio das freiras, que tempos depois, foi instalado o Cine Pax, da Diocese e como se vê na foto, esse prédio, hoje, funcionam quitinetes em cima e comércios em baixo, a exemplo da Editora Arribaçã e a administração da Diocese. 

POR: José Pereira Filho. FOTO: de Celismar Alves.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

JOSÉ ROBERTO GUZZO

lendas de Cajazeiras por José Pereira